Guerra do Vietnã

Texto retirado do site PORTAL MILITANTE – O PORTAL REVOLUCIONÁRIO BRASILEIRO

Em 1961, os EUA iniciam seu envolvimento no conflito entre o Vietnã do Norte (comunista) e o do Sul, que havia se acirrado dois anos antes. O apoio norte-americano ao regime anticomunista do Sul se amplia até a completa intervenção militar a partir de 1965. Em 1973, com o cessar-fogo, os norte-americanos contabilizam a maior derrota de sua História. Em 1976 o Vietnã está reunificado. A participação dos EUA nessa guerra é mais uma escalada da disputa entre o capitalismo norte-americano e o socialismo soviético pela hegemonia mundial. A intervenção norte-americana se dá após o envolvimento gradual em uma região que há muito vivia conflitos anticolonialistas e divisões internas. Em 1946, a Liga pela Independência (Vietminh), criada na luta contra o domínio francês na Indochina, forma um Estado separatista no norte do Vietnã sob a liderança do dirigente comunista Ho Chi Minh (1890-1969). Tem início então a guerra entre a França e o Vietminh.
Em 1949 os franceses estabelecem o Estado do Vietnã no Sul, instalam como rei Bao Dai e, no ano seguinte, legitimam a independência. O Vietminh não reconhece a decisão e reivindica para si o controle sobre todo o país. Esse conflito acaba em maio de 1954 com a derrota francesa na batalha de Diem Bien Phu. O acerto feito na Conferência de Genebra, no mesmo ano, impõe a retirada das tropas da França e divide o Vietnã em dois: o do Norte, sob o regime comunista de Ho Chi Minh, e o do Sul, que se torna monarquia independente, encabeçado por Bao Dai.
Por exigência dos EUA, o acordo marca para julho de 1956 um plebiscito em que o povo vietnamita decidiria sobre a reunificação. Os norte-vietnamitas aceitam a divisão, por acreditar que a unificação sob o governo comunista seria referendada nas urnas. Mas no sul, o primeiro-ministro Ngo Dinh Diem, anticomunista fervoroso, dá um golpe de Estado em outubro de 1955, instalando uma ditadura militar contrária à reunificação. As forças armadas sulistas passam a receber dinheiro e treinamento militar dos EUA. Apoiada por Ho Chi Minh, a resistência comunista do Sul cria em 1960 a Frente de Libertação Nacional (FLN), tendo com braço armado o Exército Vietcong.
O presidente norte-americano John Kennedy (1917-1963) reage e envia para o Vietnã do Sul 15 mil “conselheiros militares”, que criam comandos do Pentágono na região. A ruptura entre o governo sulista e o povo cresce. Monges budistas queimam-se vivos como tochas humanas em praça pública para chamar a atenção mundial sobre a intolerância da ditadura. Em 1963, Diem é assassinado, no primeiro de uma série de golpes militares que geram o caos político e levam os EUA a intervir de vez na guerra.
Escalada norte-americana – A efetiva intervenção militar norte-americana é decidida em 1964, por Lyndon Johnson (1908-1973), recém-chegado à presidência após o assassinato de Kennedy. Marca o início da escalada da guerra. O pretexto é o suposto ataque norte-vietnamita a navios norte-americanos no Golfo de Tonquim. O Vietnã do Sul recebe reforço de tropas dos EUA, que ao mesmo tempo iniciam sistemáticos ataques aéreos ao Norte. O Exército Vietcong resiste com táticas de guerrilha aos sofisticados armamentos ocidentais, entre eles bombas de fragmentação, napalm e desfolhantes químicos.

Em 31 de janeiro de 1968, guerrilheiros e soldados norte-vietnamitas lançam a ofensiva do Tet (Ano Novo vietnamita). Invadem a embaixada dos EUA em Saigon, atacam quase todas as bases norte-americanas e marcham sobre as principais cidades do Sul. As forças norte-americanas e sul-vietnamitas respondem com ferocidade sem igual em toda a guerra, provocando a morte de 165 mil vietnamitas e 2 milhões de refugiados. O governo norte-americano enfrenta crescentes protestos pacifistas em casa. Mesmo assim o presidente Richard Nixon (1913-1994) ordena o ataque à trilha de Ho Chi Minh – rede de estradas, pontes camufladas e sistemas de comunicação que alimenta a FLN com armas e munições da China e da URSS.
Reunificação – Os intensos bombardeios sobre Hanói em 1972 e o bloqueio de portos norte-vietnamitas também não dão resultado. Os EUA acabam por aceitar o Acordo de Paris, em 1973, que estabelece o cessar-fogo. São convocadas eleições gerais no Vietnã do Sul e libertados os prisioneiros de guerra. Os EUA perdem 45.941 soldados, têm 800.635 feridos e 1.811 desaparecidos em ação. Não há estatísticas seguras sobre as baixas vietnamitas, mas ultrapassam 180 mil. Com a retirada das tropas norte-americanas, o confronto se transforma em guerra civil entre vietcongs e forças do governo do Sul. Em 1976, depois de três décadas de guerra e arruinados economicamente, os dois Vietnãs se reunificam sob o nome de República Socialista do Vietnã, com capital em Hanói.

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